sexta-feira, 4 de maio de 2012

50 minutes

Tirou a roupa e olhou dentro dos olhos da garota no espelho. Sabia que não estava fazendo a coisa certa, que não era como ela tinha planejado, mas nada que ela planejava dava certo, talvez fosse esse o problema. Ao som baixinho da música que tinha escolhido a alguns minutos no mp3 player, sentiu uma mão puxar seu cabelo para trás dos ombros, enquanto outra envolvia sua cintura. Olhou para o rosto do dono das mãos através do reflexo do espelho: ele parecia um tanto nervoso, fazendo com que ela tivesse certeza de que todas aquelas histórias que tinha ouvido sobre ele não passavam de boatos, também era sua primeira vez. Ela não o amava. Dizer que eram amigos já era forçar bastante, na verdade. Mas ele era perfeito para essa situação, discreto e não fazia o tipo sentimental.

 Já podia sentir o remorso do dia seguinte... nem precisava ir tão longe, o remorso de alguns minutos depois. Sabia que se sentiria vazia, tão vazia quanto se sentia agora, mas ela tinha cansado de esperar o príncipe encantado. Quem afinal tinha inventado esses contos estúpidos afinal? Fazer com que garotas tivessem que descobrir a verdade decepcionante da pior maneira possível era muito cruel. E ela já tivera sua cota de verdade.

O cheiro de vodka e do perfume dele criavam uma marca permanente em sua memória. Será que não era melhor beber mais alguns goles? Não sabia se queria lembrar disso. Então porque estava fazendo aquilo..? Dane-se, a muito tempo tinha desistido de fazer sentido a si mesma.

Quanto tempo tinha se passado desde que chegara ali? Minutos, horas, séculos... Ela não fazia ideia. O Garoto  parecia um pouco impaciente, então talvez fosse mais do que imaginara. Deu as costas a seu reflexo no espelho, ainda envolta naqueles braços, e beijou os lábios dele suavemente, com as mãos em sua nuca. Ouviu batimentos cardíacos altos, mas não sabia mais à qual dos dois corações elas pertenciam. Sentiu o estômago revirar, não de ansiedade, mas de arrependimento antecipado. Não era um problema, estava acostumada demais com aquela sensação.

Então era isso? .... Era.

Deixou as roupas e o pudor sobre a estante.
Viu a mão dele ir em direção ao interruptor, interceptou-a no meio do caminho, entrelaçou os dedos nos seus.
– Pode deixar acesa.

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