quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Because good music can be so hard to find.

Há quanto tempo ela estava com um grito preso na garganta?

Ela já tinha perdido a noção do tempo.

Mas tinha sido educada tão bem, que sabia o quanto gritos eram irracionais e inaceitáveis.
Qual era o motivo?
Sua casa não tinha sido assaltada, nunca tinha perdido ninguém, não estava passando fome.

Aprendera desde cedo que seus problemas eram mínimos perto do das pessoas que não têm nada.
Então ela guardava tudo.
Ela guardava tudo.
Ela guardava tudo.
Ela guardava tudo.
Tudo.

"Seus problemas? Que problemas você tem? Dê graças a Deus por tudo que tem."

A infelicidade era um erro. Era ser mimada.
Era ser patética.

O nó na sua garganta tinha tornado-a muda antes dos 7 anos.
Mas o nó crescia.
A cada coisa que ela guardava.
Estava impedindo que respirasse.

Mas ninguém liga para sua respiração. As pessoas só ligam pro aceitável e pro inaceitável.

Mesmo estando sozinha, ela não tinha coragem de tirar o grito da garganta.
Afinal, sempre tem pessoas por perto. No seu quarto não, mas na sala ao lado. Na casa ao lado. Na cadeira ao lado. E todos sempre estão atentos a gritos. Todos prontamente preparados para julgar o inaceitável.

Ela não sabia mais o motivo do grito. Tantas coisas já haviam sido o motivo.
Agora era só essa angústia.
Mas ainda não era fome, morte, assalto.
GUARDE SEU GRITO PARA VOCÊ dizia a sociedade.
GUARDE SEU GRITO PARA VOCÊ.

Então o nó fechou sua garganta.
E ela não pode mais respirar.

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